quarta-feira, 10 de dezembro de 2014

Como obter uma experiência RPG online diferente dos MMO's atuais!




Phantasy Star Online, jogo desenvolvido pela lendária Sonic Team, e distribuído pela Sega, chegou ao ocidente por volta de 2001 (algum tempo dempois aqui no Brasil).
O console era o DreamCast - o melhor em tecnologia e gráficos na era semi-Playstation 2 -
e a Sega resolveu pegar sua série amada por um pequeno nicho de fans, e criou um spin-off
que incorporava um novo design e novos conceitos para o mundo RPG da época.

A Sonic Team trabalhou numa estrutura que possibilitava uma experiência multiplayer remota, sendo que ainda houvesse uma campanha em progresso nos bastidores.

O primeiro Phantasy Star Online - conhecido como PSO V1 ou PSO Epi. 1 - era um jogo de fantasia espacial, onde você criava um personagem, pertencente a uma determinada raça e trabalhando em uma determinada classe, que se adentrava numa história, sendo que a longa campanha de jogo era embutida no personagem jogador, e também comportava a cooperatividade com outros multi-jogadores.

Bem, mas, se formos comparar Phantasy Star Online - um jogo "Action-RPG" feito para consoles, com modo de jogo online - com outros jogos MMORPG's de hoje em dia, veremos que muitos dos conceitos que deveriam ser parecidos, na verdade são diferentes - e isso justifica o assunto do post de hoje. Se você gosta de RPGs, mas não consegue se dar bem com a grande maioria dos MMO's que existem por ai, Phantasy Star Online é para você!
Por que? Vem comigo! ;-) ...





Começando por destacarmos as características mais fortes dos MMO's e RPG's tradicionais*, vamos comparar cada elemento presente em ambos, analisando quais deles podem nos atrair, ou nos fazer correr dessas vertentes de RPG..
Vamos listar isso?:

Num MMORPG convencional, temos:

  •  Um sistema de criação e customização de personagens;
  • Sistema de Raças(Type's) e/ou Classes(Job's) também customizáveis;
  • Grande foco na evolução do seu personagem, prática conhecida como "Upar";
  • Muitas formas de interagir com outros jogadores (Party/PVP/Clan...);

Essas são algumas das principais características que identificam um MassiveMultiplayerOnline RPG.
Fica claro até aqui, que os MMORPG's focam numa experiência multiplayer massiva, onde o contato com os outros players é uma constante.

Mas, por que alguns jogadores de RPG não gostam dos MMORPG's?
O que afasta os players de raiz desses jogos?
Bem, cada um tem seus motivos pessoais e outros fatores que não nos cabe o julgamento, mas vamos pensar no que um RPGista normalmente gosta num RPG, e,  a partir daí podemos analisar os contrastes existentes para chegar onde o MMO se torna um vilão da história. Daí, mostrarei como Phantasy Star Online pode se tornar a solução alternativa para levar àqueles que apreciam RPG, uma experiência Online satisfatória.

O que um RPGista aprecia num RPG tradicional?
Vamos pro mesmo esquema feito acima, listando e comentando alguns pontos:

  • ENREDO forte e bem contado! - afinal, Role-Playing Game é uma forma de jogar uma história, interpretar um enredo dinamicamente, seja num jogo eletrônico ou numa mesa com livros e dados. O quesito mais utilizado para se qualificar um bom RPG, em quase 100% das vezes, é o seu enredo;
  • Um Sistema de Batalha atraente - principal meio onde o jogo testa suas capacidades mentais. Em outras palavras, um sistema que saiba produzir batalhas que estimulem a criação de estratégias;
  • Personagens Carismáticos criam laços. RPG's mais tradicionais costumam exigir uma certa dedicação, e muitas horas de jogo, onde que o céu é o limite para evolução dos personagens. Portanto, quando eles são bem construídos, criam laços que podem nos aproximar deles - até mesmo nos colocar no seu lugar.

Um bom RPG é uma mistura desses principais elementos citados acima.
Mesmo entre variações do RPG raiz, como os "Tactics" ou mesmo os "Actions", tais elementos exercem uma importância grande.

Repare que a principal diferência entre os MMO's e RPG's tradicionais, em conceito, é a experiência: uma experiência individualista contra uma coletiva.

Personagem vs Protagonista



Enquanto que nos jogos de MMO, nós é que criamos nosso personagem, todo aquele protagonismo que um herói de RPG tem fica obscuro, dando lugar a um plano onde nós somos o "herói", e até o ponto onde nós evoluirmos esse herói, a história não desenvolveu ele.

Nesses jogos, seu personagem quase sempre terá um papel genérico, pois nela devem caber muitos outros personagens, que também são "heróis". Assim, seu personagem se torna apenas "um dos muitos 'heróis'" existentes no mundo do jogo.
O preço para se ter um personagem próprio, com todas as nossas firulas e caprichos, é que infelizmente seu papel na história será genérico ou mesmo irrelevante.

Em RPG's tradicionais, nós geralmente somos apresentados a um protagonista, ou um grupo, onde juntos irão traçar um plot pré-definido, podendo ter lá com suas variações e reviravoltas, mas o protagonismo sempre estará lá - e se os personagens forem bem construídos e carismáticos, a falta desse sistema de criação de personagem se torna totalmente dispensável.
A falta de uma história que envolva seu personagem na trama principal, como o protagonista, pode afastar certos RPGistas mais exigentes, que sabem apreciar um personagem de caráter e forte interpretação.

 - To Attack, simply click the Target!


Comparar os sistemas de batalha entre RPG's tradicionais e RPG's MMO, exige muito pouca explicação para gamers "praticantes".
Embora existam inúmeros MMORPG's na atualidade que utilizam-se de diversos tipos de mecânicas de batalha, há um que prevalece. Com um tempo criou-se um conceito para o MMO. Para atacar, basta clicar no alvo. Claro que somamos a isso diversas outras coisas, como magias e skills que de alguma forma também servem de ataque. Mas a base para batalhas é quase sempre esta. Simples mas eficiente.



Nos RPGs tradicionais, temos algumas características que atribuem às batalhas uma complexidade maior.
De modo geral, sejam em RPG's com sistema de batalha na base de Turnos ou em Tempo Real (Action RPG's, onde a ação requisitada acontece na hora), sempre há um um forte apelo para a criação de estratégias.
Essas batalhas não raro, podem ser travadas por longos períodos, onde uma série de comandos e recursos precisam ser utilizados para se chegar á vitória.

Embora nos MMO's também possamos ter batalhas épicas contra grandes boss'es ou monstros, essas batalhas não possuem um significado mais profundo do que matar ou morrer. Seja dentro de uma Dungeon ou Quest, Raid ou Evento, as batalhas consistem basicamente abater inimigos.
Num RPG comum, as batalhas são mais diversificadas.
Por exemplo, você pode ter um grupo de inimigos onde dois deles são fracos, porém atacam mais vezes, e um é o mais forte, porém ataca com menos frequência.
Em um RPG por Turnos, a lógica seria acabar com os mais fracos primeiro, para depois focar todos os ataques do grupo no mais forte. Num Action RPG, talvez a estratégia fique por conta de manter distância do inimigo mais forte (ou usar de esquivas) para evitar apanhar enquanto abate os minions mais fracos.
Batalha épica de Chrono Cross, onde acontece um "plot-twist" bem no meio de uma batalha!!!


As batalhas também possuem o fator enredo.
Por exemplo, um grupos de inimigos pode se utilizar de alguma fraqueza ou vulnerabilidade relacionada a algum acontecimento, ou algum outro fator antecedente. Enquanto que em um MMO, o monstro que você enfrenta geralmente foi planejado para ser exterminado e gerar recompensas aos jogadores, esse nem sempre é o objetivo de uma batalha num RPG clássico. Ela também será usada para contar partes da história.

"Hu3-Hu3"


Outro grande problema que afasta gamers RPGistas tradicionais dos MMO's, é a interação social frustada com outros players.
Quando você joga algo multiplayer, a intenção é interagir o máximo possível com o outro jogador. Seja em forma das "Partys", em competições ou mesmo nos PVP's.
Para tanto, talvez quando se é um jogador novato, a falta de generosidade e transparência de alguns jogadores, pode estragar a experiência social.
Players que matam outros jogadores por diversão.. desigualdade em relação a jogadores que investem cash contra os que não investem.. dificuldade em encontrar jogadores dispostos a partilharem seu tempo em alguma missão conjunta... enfim, são vários problemas.




A maioria dos jogos MMO, geralmente não se preocupam em informar didaticamente tudo o que há para se saber sobre o jogo - pois a intenção mesmo é que você interaja com jogadores mais experientes e faça amigos, que te ajudem a realizar seus objetivos.
Quando se está acostumado a ser "ensinado" pelo jogo, ou mesmo quando você tem preferência por partidas solo, os MMO's mostram um grande vazio para esses gamers.
Abusando das ironias, você sente um "vazio", num lugar cheio de pessoas.
Então, esses gamers preferem voltar para os NPCs, que se mostram bem mais amigáveis do que outros players focados nos seus próprios interesses.

Existem muitas outras coisas que podem afastar RPGistas de sangue, dos RPGistas sociais, como fatores de desempenho, onde uma boa internet se faz obrigatória para a experiência de jogo online. Um bom computador para extrair o melhor a beleza gráfica disponível. Problemas decorrentes de servidores onde os jogos são rodados, usuários de cheats ou hacks, banimentos injustificados ou o termo que gera muita discussão e bate-boca nos fóruns, os PayToWin.

Tudo isso faz com que um MMO, para um RPGista "purista", seja tedioso ou mesmo sem graça.

Phantasy Star Online!


Chegamos onde esse jogo pode agradar quem sofre ou já sofreu ao tentar jogar RPG Massivo.
PSO, possui o grande atrativo de um MMO - a criação do seu personagem.
Porém, nele, seu tão querido personagem torna-se um protagonista da história, que envolve não só você, mas como também outros jogadores, numa campanha bastante envolvente.

Esse game futurista trata de modo inteligente o seu envolvimento e o de outros personagens no desenrolar do enredo.



Temos como plot principal, uma humanidade que, com seu planeta devastado, organiza um êxodo em massa pelo espaço para a colonização de um novo planeta, abordo de uma nave chamada "Pioneer 1".
Após encontrado um planeta em perfeitas condições para ser chamado de novo lar - Ragol -  a nave manda sinais positivos para a aliança, fazendo com que uma segunda nave, "Pioneer 2" seja enviada. Porém quando Pioneer 2 chega a orbita de Ragol, acontece uma grande e misteriosa explosão, Pioneer 1 desaparece, junto com todos os tripulantes da nave.

Como membro de um grupo de Hunters a bordo de Pioneer 2, você é enviado para Ragol para investigar o que aconteceu com Pioneer 1, e que relação Ragol tem com esse fato.
Seguindo as pistas deixadas por uma Hunter de Pioneer 1, seu personagem, junto com seus companheiros (outros players ou mesmo "bots" da CPU) exploram o vasto planeta em semi-colonização, em busca de pistas para solucionar esse mistério.

Quando em um RPG tradicional nós geralmente não podemos escolher a que raça/classe nosso personagem irá pertencer, em PSO, além de podermos criar toda a aparência do nosso protagonista,  temos 3 tipos de raças, e 3 tipos de classes, gerando um total de até 12 tipos de personagens diferentes que podem ser combinados.

As classes são Human, Newman e CAST.
  • Humanos são as criaturas mais balanceadas, não tendo nenhum ponto forte ou fraco;
  • Newmans são uma nova raça criada pelos humanos, com diversas mutações que lhes permite o uso de um poder conhecido como Photom Arts;
  • CAST's são robôs criados pelos humanos, sem nossas limitações físicas, porém, eles não podem fazer uso das artes mágicas:
As raças são:

  • Hunter's, personagens com grande habilidade com armas brancas, também usuárias de algumas Photom Arts;
  • Ranger's, usuários perítos em diversos tipos de armas de fogo e a distância;
  • Force's, mestres em todas as Photom Arts;
A combinação dessas raças e classes resulta em diferentes perfís de personagens, permitindo ao jogador desenvolver seu próprio estilo de jogo.

E as Batalhas?


Embora PSO não seja um RPG por turnos, isso não significa que seu sistema de batalha seja simples.
Como?
Bem, primeiramente, a ação que você comanda em PSO possui uma mecânica que quebra qualquer tipo de jogada "esmaga/fuzila botão".

Os ataques físicos são divididos em 3 tipos  - ataques simples e consistentes, ataques concentrados mas com pouca precisão, e ataques que podem infligir algum tipo de status no alvo.
Cada um desses ataques, pode gerar um combo de até 3 golpes. Porém, existe uma espécie de Timing, que essencialmente exige que um golpe termine, para que outro seja executado.
Assim, ao apertar o botão para efetuar o primeiro ataque, se você não observar quando o personagem terminou seu golpe, e mandar ele atacar denovo, haverá uma pausa entre um golpe e outro.
Caso você aperte ataque denovo, depois que o personagem terminou o primeiro movimento do golpe, ele irá emendar com outro golpe, fazendo assim o combo.

Um Ranger CAST utilizando ataques concentrados com uma Handgun


Essa mecânica meio que força você a se concentrar no tempo de cada golpe, até mesmo te ensina a manter a calma quando um grupo de monstros está ao seu redor te massacrando.
A mistura entre golpes simples com outros concentrados, também permite enfraquecer um monstro ou anular sua defesa para causar um dano maior.
Ataques que aplicam status, como paralisia, também são uma opção a se considerar, quando se lida com monstros que tem evasão muito alta.

Classe Force, utilizando ataques que danificam e causam efeitos diversos
Some à esse sistema simples, porém inteligente, as Photom Arts.

Você pode mandar Bolas de Fogo certeiras nos inimigos que causa bom dano, ou uma Onda de Gelo pelo chão para atingir vários alvos simultâneos. Pode fazer cair um raio no alvo, bom para lutar contra monstros voadores (como dragões alados ou máquinas flutuantes).
Estas são apenas as mais básicas que podemos sitar. Mas existem muitas outras mais legais e complexas.


Acho que já deu para reparar que PSO não tenta re-inventar a roda.
Ele vai além, inserindo os elementos de ação em um RPG sem exagerar, fazendo a ação funcionar de forma harmônica - diferente de tantos jogos por ai hoje.

Modo Online

Lembrando que PSO não é um jogo MMO. Ele nasceu para rodar em console. Portanto, sua interação social online, durante as partidas funciona diferente.
Um termo que achei interessante utilizar para expressar PSO, usada por um gamer youtuber, foi que ele é um jogo "de instâncias".
Ou seja, durante uma Mission, apenas 4 players podem participar por formarem um Time.
Fora da Mission, você pode interagir com esses jogadores normalmente.
Os Times, ou Partys, podem ser tanto privadas quanto públicas - podendo ser acessada por outros jogadores que estiverem online.

Criar uma Party pública e entrar em uma Dungeon pode significar que qualquer pessoa, pode entrar na sua Party, enquanto você esta lá na Dungeon, a qualquer momento! Assim você pode receber ajuda a qualquer momento, por pessoas que estão dispostas a te ajudar, sejam novatas ou veteranos.



Bem, Phantasy Star Online é um jogo de 2000. Portanto não espere muita coisa do mesmo - até por que a simplicidade é a principal responsável pelo funcionamento eficiente do jogo, na sua proposta.

PSO une grandes vantagens do MMO tradicional, mas é filtrado dos problemas que costumam afastar RPGistas mais exigêntes.
Também tem as boas e velhas características dos RPG's tradicionais que os tornaram tão queridos para esse público.

Eu mesmo, gosto de RPG's tradicionais bem como de MMO's, mas ainda vejo que ambas as partes tem suas diferenças, e que ambas também tem muito campo para evoluir.
Phantasy Star é uma antiguidade que deu certo em mesclar essas duas vertedes do Role-Playing.
Espero que a matéria, apesar de um pouco longa o tenha ajudado a avaliar se você quer ou não dar uma chance a PSO.



Em caso afirmativo, existe um grupo de jogadores que mantém um servidor nacional, onde marcam para jogar por lá. Além das instruções para se jogar o jogo no servidor, eles ainda tiveram a cara de pau de traduzir quase 90% do jogo para PT-BR. Quer mais o que?
Taqui o link, acessem e vamos marcar para jogar alguma hora!


Um abraço a todos!!!






* Os termos utilizados pela matéria para "RPG's tradicionais" ou "convencionais", são uma referencia á jogos onde a experiência primária gira em torno do single player.
Jogos como a série Final Fantasy, Breath of Fire, a séries Tales Of e Legend Of, Chrono Trigger/Cross, Fire Emblem, as séries de Shin Megami Tensei, o próprio Phantasy Star, e muitos outros, costumeiramente exclusivos para CONSOLES.

Fernando Augusto Pereira Web Developer

Como todo desenvolvedor de softwares, com pouco auto-estima, vejo nos videogames algo que a vida real não mostra. Jogador veterano de Monster Hunter, RPGista entusiasta, e meio barulhento quando o assunto é Fighting Games, um ser vivo que consegue desperdiçar seu valioso tempo da melhor forma possível. O que como? Onde durmo? Daonde tira tantas ideias idiotas? Hoje, no Globo Reporter!

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