quarta-feira, 3 de julho de 2013

"A história não contada dos desenvolvedores de jogos japoneses"


O escritor britânico John Sczepaniak está com um grande projeto em mãos, trabalhando no livro "The Untold History of Japonese Game Developers" (A história não contada dos desenvolvedores de jogos japoneses), ele reunirá entrevistas de uma infinidade de desenvolvedores que trabalharam na criação de jogos no Japão durante as segundas, terceiras e quarta geração de consoles (do Atari ao SNES), com foco nos trabalhos para o Famicom. O autor já realizou mais de 100 entrevistas previamente para o jornal onde trabalha no Reino Unido.

As grandes surpresas do trabalho de Sczepaniak foram relativas aos trabalhos investigativos feitos por ele para rastrear grandes desenvolvedores que hoje já não fazem parte do mercado. Na época em que a indústria dos gamer não era nem sombra do mercado multibilhonário atualmente, era comum que os desenvolvedores, por mais genais que fossem, conseguissem empregos melhores ou mais estáveis e saíssem do ramo. Para encontrá-los, o escritor precisa fazer uma série de investigações, interrogatórios, tocaias, enviar correspondências... mas tudo no mais amigável ambiente.

Uma das investigações mais curiosas e que ainda não deu resultados foi a busca pelo designer original de Castlevania (NES), que trabalhou para a Konami há 25 anos atrás, contada ao portal Siliconera:

"Em outro caso, que ainda precisa dar resultados, eu tentei contactar o designer original do primeiro Castlevania, para o Famicom. A equipe original nunca foi creditada pelo trabalho, mas um amigo meu da Konami elaborou uma lista de pessoas que ele lembrava. Então eu rastreei online até achar um registro de patente por um alegado desenvolvedor, enquanto era empregado da Konami, com um endereço residencial. O endereço tem quase 30 anos, mas ainda assim, enviei 5 cartas para ele. Como o código de área [CEP] não estava anotado, eu procurei por todos os códigos para àquela área particular da cidade - existiam então cinco endereços prováveis. Eu fiz minhas apostas e mandei cinco cartas idênticas. Não recebi resposta, talvez ele tenha se mudado há anos..."
 Ainda assim, Sczepaniak faz questão de não mistificar tanto assim seu trabalho:

"Na verdade, a maioria dos meus contatos recentes não precisam de tanto trabalho. Eu falei com muitos desenvolvedores japoneses que eu já conhecia, e eles me colocaram em contato com outros mais. Além disso, eu tenho um amigo que possui uma grande coleção de revistas japonesas de jogos dos anos 80. Eu pedi a ele referências a pessoas por onde começar as buscas. Ele me deu alguns nomes, e tive a sorte de que vários deles têm páginas pessoais."
Mas sem desmerecer seus esforços:

"Eu diria que a ferramenta mais importante para rastrear desenvolvedores são contatos. Mesmo se eles se mudaram para outros ramos de trabalho, não relacionados a jogos, há possibilidades de eles manterem contato com velhos colegas. No entanto, alguns desenvolvedores como Masaya e Hashimoto da Quintet, parecem ter desaparecidos completamente, sem pistas. Em casos como esses eu tento entrar em contato com antigos colegas, e ver se alguém conhece alguém que possa me colocar em contato com alguém... definitivamente há um trabalho investigativo envolvido." 
É curioso, e triste, saber que o designer responsável por ter criado a arte e o desenho originais de um dos
jogos mais importantes de sua época, e mais influentes da história do ramo, nunca recebeu o merecido crédito - devido a brincadeira realizada ao final do jogo, trazendo grandes nomes da literatura e cinema de terror no local dos produtores personagens (no gif ao lado). Mas não só isso, ele desapareceu completamente do ramo e nunca mais (até onde se sabe) contribuiu com os vídeo games.

O trabalho do livro de John Sczepaniak não deixa de ser muito interessante, e você pode conferir parte dele na página do KickStarter do projeto. No entanto, a má notícia é que se você queria contribuir com o projeto na esperança de receber uma edição especial (com postagem internacional incluída), o prazo já terminou. Felizmente ele arrecadou, com sobras, os fundos necessários. Resta esperar, ansiosamente, pelo lançamento, programado para janeiro de 2014.

Fernando Augusto Pereira Web Developer

Como todo desenvolvedor de softwares, com pouco auto-estima, vejo nos videogames algo que a vida real não mostra. Jogador veterano de Monster Hunter, RPGista entusiasta, e meio barulhento quando o assunto é Fighting Games, um ser vivo que consegue desperdiçar seu valioso tempo da melhor forma possível. O que como? Onde durmo? Daonde tira tantas ideias idiotas? Hoje, no Globo Reporter!

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